A imagem da mulher sempre esteve atrelada a um imaginário sexual ilusório, quando servia apenas para procriar, cuidar da casa, do marido e dos filhos.  No século passado, por exemplo, a mulher não tinha um papel social definido, não possuindo direito ao voto e nem ao trabalho remunerado. O direito ao voto só foi concedido às mulheres em 1932, no Brasil.

Desde cedo, foi pressuposto que as mulheres deveriam ser esbeltas, magras, inteligentes (não mais que seu marido), engraçadas e que não reclamassem muito. Nas obras de arte do movimento romântico, pode-se observar claramente esse aspecto. Sempre foi esperada uma atitude delicada, tímida, que não demonstrasse vulgaridade para os outros. A mulher que era mais “ousada”, era taxada de nomenclaturas não muito agradáveis e não eram para casar, pois, afinal, quem ficaria com uma mulher que usa roupas decotadas e maquiagem forte?

Após muitos anos de batalha contra uma sociedade machista, patriarcal, discriminatória e preconceituosa, buscando seus direitos e igualdade, as mulheres conseguiram se estabelecer no mercado de trabalho, como uma pessoa tão competente quanto os homens, inclusive até mais, justificando com o fato de que muitas mulheres são mães “solo”, que trabalham e cuidam dos filhos e da casa sozinhas. A maternidade não é um processo que vem de dentro, mas um pensamento construído pela sociedade. A fabricação da ideia de que as mulheres são seres perfeitos, sempre sorrindo, angelicais, santas que jamais erram é uma das ferramentas de opressão para a vontade de ser mãe.

Além de estarem se introduzindo cada vez mais na sociedade, as mulheres estão se conhecendo mais. Se conhecendo em relação a aparência, desejos, sexualidade, buscando a compreensão do “eu particular”. Muitas mulheres, atualmente, podem se afirmar homossexuais e bissexuais. Infelizmente, assumem com medo, porque dentro de uma perspectiva retrograda de sociedade, ninguém está a salvo de ser algo que foge dos padrões pré-estabelecidos. O feminicídio é um dos fatores que demonstram que a mulher ainda é sinônimo de figura fraca, menosprezada e inferior pelo prisma masculino. Suas motivações mais usuais são o ódio, o desprezo ou o sentimento de perda do controle e da propriedade sobre as mulheres, comuns em sociedades marcadas pela associação de papéis discriminatórios ao feminino, como é o caso brasileiro.

O mundo caminha para que as mulheres busquem cada vez mais autonomia, seja sobre seus corpos, empregos, desejos etc. Se desejarem ser donas de casa ou executivas de multinacionais: que sejam! Muito mudou em relação ao mundo feminino. As mulheres não possuem mais como meta ser mães que trabalham em casa, elas querem mais. As portas, por mais que algumas sejam mais difíceis de abrir, ainda há tempo e muito caminho pela frente em busca de seus respectivos espaços. Não é fácil ser mulher na sociedade atual, após inúmeras vitórias, mesmo que atrasadas. Através do feminismo, movimento social que busca a igualdade entre gêneros, ajudou e ajuda muito, até hoje, mulheres a descobrirem o que querem ser, além de poderem se olhar no espelho e dizer “eu posso”, sobrevivendo a cada leão por dia.

Aluna: Stella Coelho